Em clima de sexta-feira 13... =P Meu computador não está em sua melhor forma, e há alguns dias tem me dado bastante trabalho. Ainda não conseguiram diagnosticar o motivo de sua súbita pane... =/ E para fugir um pouco dos efeitos da crise de abstinência de internet em casa, estou escrevendo do computador daqui do trabalho, agora que já estou livre. Talvez assim me sinta mais "comunicável". Li e escrevi muito durante esses dias e essa parte não foi ruim... o problema é que a rabugice [sintoma da crise] não me deixa gostar de nada do que escrevi; não consigo achar nada do que produzi recentemente digno de publicação. Pode ser que depois de um tempo, com minha internet bonitinha de volta eu dê uma olhada e acabe achando razoável, quem sabe?... Mas acho que estava precisando mesmo postar algo mais normal... estive lendo os últimos posts e estão muito intensos, pesados, parece que os escrevi durante algum tipo de transe [o que não se distancia totalmente da realidade], mas não sou essa tempestade louca todo o tempo... também tenho meus momentos de banal normalidade, acreditem. =P Um fato curioso ocorreu durante esses últimos dias. Em uma dessas noites, pra ser mais exata. O tédio já tinha estourado meu limite de tolerância, então fui esquadrinhar o armário em busca de qualquer livro inédito [sempre deixo alguns reservados para eventuais situações desagradáveis como a tal]. Depois de alguns espirros e livros espalhados, lá estava o eleito: um pequeno livro que eu havia julgado pela capa há uns dois anos. É cor-de-coisa-velha, um tom de rosa bem clarinho... tem uma pintura na capa e nela vê-se cinco pessoas estranhíssimas, uma mulher e quatro homens... Tenho quase certeza que é arte expressionista, mas não consegui descobrir o autor dela... talvez seja o mesmo escritor do livro, ou seu irmão [que era bem mais famoso], porque os dois pintavam... Bom, naquele dia, à primeira vista, gostei muito dele. Parecia que ele havia sido rejeitado algumas vezes, coitado... estava meio torto e empoeirado... talvez não fosse muito atraente pra maioria por causa daquela figura sinistra na capa... O título também me chamou a atenção: "La Casa Ispirata", ou "A Casa Assombrada", então comprei. Algumas das minhas hipóteses estavam erradas; naquela época eu não sabia que meu livrinho aparentemente simplório foi escrito em 1920 pelo autor Andrea De Chirico, sob o pseudônimo de Alberto Savinio, marcando a literatura italiana da época com seu estilo inovador. E não era um livro fácil e nem serviria para minhas necessidades literárias naquele momento, então resolvi desistir [temporariamente] dele. E não imaginam como agradeci à mim mesma por ter tomado aquela decisão. O meu livrinho, com sua história emaranhada e sua linguagem surreal, salvou-me a noite. Ah sim, a parte curiosa vem agora. =P Logo na primeira página, deparei-me com um trecho ao qual não havia dado muita atenção quando comecei a lê-lo pela primeira vez... aquela parte parecia ter sido tirada do meu texto da noite anterior, exceto pela escrita mais rebuscada, obviamente =P... mas a idéia principal era a mesma. Achei interessante, e senti uma repentina identificação com o autor [arriscaria até dizer uma certa afeição por ele], como se ele me ajudasse expressando por mim o que eu não conseguiria descrever tão bem. E é com este trecho que eu me despeço. Um beijo. ;* "As ações enfrentadas com ânimo alegre costumam cumprir-se com felicidade. Mas aquele dia foi triste. As esperanças, asas cansadas em fadigosos vôos, esmoreceram à noite, tal como caem as pipas quando o vento amaina".
Escrito por Roberta às 18h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|