Já me proibi diversas vezes de criar esperanças. Isso em vão, pois não é algo que se possa controlar. Na ânsia de acabar com a confusão de sentimentos que é constante em mim, acabei achando que seria possível... mas definitivamente não é. Sempre volto a sonhar e fazer planos, volto a confiar e apostar nas pessoas. Certamente quebrarei a cara ainda muitas vezes e me arrependerei de ter confiado novamente, mas me recuso a fazer diferente... Eu magoei e fui magoada, achei que muitas coisas estavam perdidas. Já tentei esquecer cheiros, sorrisos, arrepios, dias de chuva... mas é como naquela música que canta a Vanessa da Mata: "Peço tanto a Deus para esquecer, mas só de pedir, me lembro...". Não basta querer esquecer, e talvez não se consiga esquecer porque não é pra ser assim... talvez eu precise acreditar novamente, jogar outra vez... Mesmo que surreais e distantes as lembranças ainda estão aqui intactas... pode ter sido sonho, mas porque não sonhar mais um pouco? Tenho mantido os pés no chão há tempo demais, e tudo tem que ser na dose certa. Eu não sou a mesma sem me desligar um pouco da correria, então lá vou eu apostar novamente. Conto depois se ganhei ou perdi.
Escrevi muitas coisas hoje, mas não ouso publicar tudo... os meus últimos escritos têm sido muito densos, melhor guardá-los. Divulgo apenas esse poema, uma antiga coisa que precisava externar. Obrigada à quem visitar, beijos.
Autarquia
Talvez expressar-me assim seja um erro Mas ainda és em mim tempestade Tudo, tudo aquilo que vivi a esmo Antes me parecia a mais doce verdade
Meu desejo é arrancar-te dos olhos Não ver mais tudo em que vejo você Porém, são distantes os outros caminhos E a tua voz insiste em permanecer...
Às vezes espanto-me ao admitir Que ainda vive este sentimento só meu Entranhado, misturado, Fluindo, enlouquecendo Marcas que eu não soube extinguir
Livrar-me do teu fantasma eu queria, Expulsar de mim tudo que foi teu Um dia hei de construir minha autarquia Confiar no tempo, aliado meu...